Como funciona o investimento
Material explicativo do modelo de captação da rede de recarga Evomob, do quadro geral até o detalhe. Os números desta página são lidos das premissas configuradas no lote SCP - 02 - Regiao dos Lagos (TESTE) — taxa de gestão de 20% sobre fluxo livre, horizonte de 10 anos.
O quadro geral
A Evomob instala e opera eletropostos — pontos onde o motorista carrega um veículo elétrico e paga pela energia entregue. Instalar um ponto custa caro e de uma vez só; operá-lo custa pouco e todo mês. É um ativo de infraestrutura: o dinheiro entra pesado no começo e volta diluído ao longo de anos.
A captação existe para financiar a implantação de novos pontos. Quem entra não empresta dinheiro para a Evomob: compra uma fatia dos eletropostos que ajudou a construir e passa a receber, todo mês, a parte dele do que aqueles pontos gerarem.
Não existe juro contratado nem valor de resgate garantido. O que existe é a sua fatia de um eletroposto e o que ele produzir.
Se o eletroposto vender muita energia, o rendimento é alto. Se vender pouco, é baixo. O risco operacional é do investidor.
A remuneração da Evomob é uma taxa de gestão sobre fluxo livre, hoje em 20%. Ela só cresce se o ativo performar.
Por que um eletroposto gera dinheiro
A receita de um eletroposto é simples de entender: ele compra energia da distribuidora a um preço e revende ao motorista a outro. A diferença entre os dois, multiplicada pelos kWh entregues, é o que sustenta tudo o mais.
As quatro alavancas
- Quantas sessões por dia — quantos carros param ali. É a variável que mais mexe no resultado e a mais difícil de prever.
- Quantos kWh por sessão — depende da potência do ponto e do tempo que o carro fica plugado.
- A diferença entre a tarifa de venda e o custo da energia — a margem por kWh.
- O custo fixo mensal — manutenção, conectividade, seguro e a conta fixa de energia. Ele não cai quando o movimento cai.
O ponto não nasce cheio
Um eletroposto novo começa com pouco movimento e vai ganhando tráfego conforme motoristas descobrem o local e o incorporam à rotina. Esse período é a rampa. Na carteira configurada hoje, a rampa média até a maturidade é de 18 meses, depois de 5 meses de obra, entrada de energia e homologação. Nos primeiros meses o ponto rende pouco — isso é esperado, não é sinal de problema.
Para onde vai cada real faturado
Esta é a conta que interessa. Do dinheiro que entra na maquininha, uma parte já sai comprometida antes de chegar em qualquer bolso. A barra abaixo mostra a divisão do faturamento no último ano da projeção, com o ativo maduro.
Lendo de outro jeito: de cada R$ 100 faturados no ponto, cerca de R$ 0 chegam à conta do investidor e R$ 0 ficam na reserva da SCP, que também é dele, só que ainda em caixa.
A energia é quase sempre a maior linha. Por isso o regime tributário importa tanto: alguns permitem abater a energia comprada da base de imposto e outros não.
A estrutura: SCP por lote
Cada conjunto de eletropostos é organizado numa Sociedade em Conta de Participação, a SCP. É um formato societário desenhado exatamente para isso: alguém opera, outros participam do resultado.
- Aparece perante terceiros e assina os contratos
- Opera os pontos e responde pela operação
- Cuida da contabilidade e da prestação de contas
- Participa do resultado na proporção da sua cota
- Não responde pelas obrigações da operação perante terceiros
- Não aparece no contrato com o dono do local nem na distribuidora
Por que lotes e não um ponto por SCP
Cada lote reúne um ou mais eletropostos até completar R$ 500.000. Duas razões. A primeira é do investidor: com vários ativos no mesmo lote, o desempenho fraco de um ponto é amortecido pelos outros, em vez de definir sozinho o rendimento. A segunda é operacional: abrir e administrar uma SCP por eletroposto multiplicaria a burocracia sem trazer benefício.
A cota: lote, fração e carteira
Cada lote de R$ 500.000 é dividido em 10 frações de R$ 50.000. Uma fração equivale a 10% do lote — e, portanto, a 10% de cada eletroposto que aquele lote contém.
- Um investidor pode comprar de 1 a 10 frações de um mesmo lote, indo de 10% a 100% dele.
- Pode comprar frações em lotes diferentes. O conjunto dessas posições é a carteira dele.
- Cada investidor é identificado por CPF ou CNPJ. Pessoa física e jurídica entram no mesmo desenho.
- A carteira mostra a exposição por eletroposto, por cidade e por estado — dá para ver se você está concentrado numa praça só.
O momento de entrar
O investidor entra antes da implantação do eletroposto, ao custo do projeto. Não se compra fatia de ponto já rodando. Isso mantém a regra de preço simples e evita a discussão sobre quanto vale um ativo em operação na hora da entrada.
Como e quando o dinheiro chega
A linha do tempo de um lote, no ritmo médio da carteira configurada hoje:
Aporte no mês zero · 5 meses de obra · 18 meses de rampa · horizonte total de 10 anos
A regra de distribuição
Todo mês, apurado o resultado do lote, 90% do fluxo livre é distribuído aos cotistas na proporção das suas frações. Os 10% restantes ficam na conta da SCP como capital de giro — atraso de repasse da adquirente, conta de energia mais alta num mês, um conserto fora do previsto.
Nos primeiros meses a distribuição é pequena ou nula, porque o ponto ainda está em obra ou no começo da rampa. Isso está no desenho e precisa estar claro para o investidor antes da assinatura, não depois do primeiro extrato.
Como se calcula quanto vale a sua cota
O valuation de cada eletroposto é feito pelo método do fluxo de caixa descontado. A lógica em três passos:
- Projeta-se, mês a mês, quanto caixa aquele ponto vai gerar até o fim do horizonte.
- Cada valor futuro é trazido para hoje por uma taxa de desconto — hoje em 14,0% ao ano — porque dinheiro no futuro vale menos que dinheiro agora.
- Soma-se a isso o valor terminal, que representa o que o ativo ainda vale depois do último ano projetado.
O valuation da rede inteira é a soma dos valuations individuais. O valuation da sua carteira é a soma da sua fatia em cada ativo. O cálculo é refeito uma vez por ano.
Ele não define o preço de entrada, já que a entrada acontece antes da implantação, ao custo. Ele serve para acompanhar a evolução da sua posição e como referência para uma eventual saída.
Quem faz o quê
- Estrutura a captação e constitui as SCPs
- Seleciona os pontos, negocia com o dono do local
- Implanta, homologa e opera a rede
- Apura o resultado e distribui todo mês
- Refaz o valuation uma vez por ano
- Identifica e prospecta locais na sua praça
- Executa ou acompanha a instalação
- Faz o atendimento e a manutenção local
- É os olhos da rede no território
- Explica a estrutura e qualifica o investidor
- Mostra as projeções sempre como projeções
- Encaminha para os documentos contratuais
- Não promete rentabilidade, em nenhuma hipótese, nem verbalmente
- Escolhe os lotes e a quantidade de frações
- Aporta antes da implantação
- Acompanha a carteira e recebe mensalmente
- Assume o risco operacional dos pontos
Os riscos, ditos com clareza
Todo investimento em infraestrutura tem risco, e apresentar o modelo sem esta seção é o caminho mais curto para um problema lá na frente.
- Demanda abaixo do projetado. O maior risco. Se o ponto atrair menos carros do que a projeção assume, o rendimento cai proporcionalmente e o valuation cai junto.
- Custo de energia. Reajuste da distribuidora acima do previsto comprime a margem por kWh, e nem sempre dá para repassar à tarifa de venda.
- Prazo de implantação. Obra, entrada de energia e homologação atrasam. Cada mês de atraso empurra o começo da distribuição.
- Tecnologia. Carregador é equipamento que evolui rápido e sofre desgaste. Por isso existe o fundo de reposição.
- Regulatório e tributário. A tributação do setor está em transição e a forma de tributar a recarga ainda tem pontos em aberto.
- Liquidez. Não existe mercado organizado para revender a cota. A saída depende da regra que estiver contratada.
- Concentração. Poucas frações num lote só significam exposição a poucos pontos, numa praça só.
- Execução. O resultado depende da capacidade da Evomob de operar bem a rede ao longo de anos.
O que ainda não está fechado
Honestidade sobre o estágio: alguns pontos dependem de parecer técnico e não devem ser apresentados como resolvidos.
- Enquadramento da oferta e eventuais obrigações perante a CVM.
- Se a SCP pode ou não optar pelo Simples Nacional, e qual regime o sócio ostensivo adota.
- Se a recarga é tributada por ISS ou por ICMS, e em qual município ou estado.
- A regra de saída: prazo de carência, direito de preferência, recompra ou transferência entre investidores.
- A remuneração do franqueado dentro da estrutura da SCP.
- A base definitiva da taxa de gestão e a existência ou não de retorno mínimo antes da performance.